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Manejo clínico dos efeitos colaterais dos antidepressivos no transtorno de pânico
Vera Tess1

Recebido: 20/11/2000/Aceito: 28/11/2000
Resumo
O transtorno de pânico é uma doença crônica que exige tratamento a longo prazo. A presença de efeitos colaterais associada ao uso de antidepressivos é uma das principais causas de abandono do tratamento. A preocupação do clínico com os efeitos adversos, desde o início da farmacoterapia, aumenta a aderência do paciente ao tratamento. Neste artigo, a incidência de efeitos colaterais é revisada e são discutidas as estratégias de manejo dos efeitos adversos mais comuns com antidepressivos tricíclicos, inibidores da monoaminoxidase e inibidores seletivos da recaptura da serotonina.
Unitermos: Transtorno de pânico; Antidepressivos; Efeitos colaterais.
Abstract
Management of antidepressant-induced side effects in panic disorder
Panic disorder is a chronic medical condition, usually requiring long-term treatment. Antidepressant-induced side effects may lead to discontinuation of pharmacotherapy. Attention to the untoward consequences of antidepressant pharmacotherapy improves patient compliance. This article reviews the incidence of the different side effects and discusses some treatment strategies for the most commonly encountered side effects.
Keywords: Panic disorder; Antidepressants; Side effects.


Introdução

O transtorno de pânico (TP) é uma condição médica crônica que normalmente necessita de tratamento a longo prazo. A literatura e a prática clínica sugerem de 12 a 18 meses de farmacoterapia de manutenção, após a melhora total ou significativa da sintomatologia (APA, 1998; Sheehan, 1999). Embora a porcentagem dos pacientes que permanecem bem após a retirada da medicação seja controversa evidências sugerem entre 30% a 45% a maior parte dos pacientes apresenta algum grau de recidiva dos sintomas ansiosos (APA, 1998). Portanto, uma perspectiva longitudinal é importante ao se iniciar o tratamento medicamentoso. Assim, os agentes farmacológicos utilizados no tratamento do TP devem, além de ser efetivos, demonstrar boa tolerabilidade em tempo prolongado de uso.

Aumentar a aderência ao tratamento de manutenção é tão importante quanto obter uma boa resposta ao tratamento agudo, pois o abandono precoce da medicação é o principal fator de reaparecimento dos sintomas. A descontinuação da medicação é mais freqüente no primeiro mês do tratamento. Algumas causas levantadas pelos pacientes são (Kaplan, 1997; Cowley et al., 1997):
1) presença de efeitos colaterais;

2) demora na resposta terapêutica (expectativa de melhora imediata);

3) desinformação sobre a doença e seu tratamento (por exemplo, da possibilidade de piora inicial);

4) falhas na relação médico-paciente.
O abandono durante a fase de manutenção deve-se, basicamente, a dois fatores: persistência de efeitos colaterais (especialmente ganho de peso e disfunção sexual) e desinformação sobre o tempo de tratamento de manutenção e sobre o risco de recaída precoce com a descontinuação (Kaplan, 1997; Baldwin e Birtwistle, 1998).

Efeitos colaterais dos antidepressivos

Todos os antidepressivos efetivos no TP (inibidores seletivos de recaptação da serotonina, tricíclicos e inibidores da monoaminoxidase) causam efeitos colaterais. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) apresentam uma tolerabilidade maior quando comparados com os outros grupos, especialmente com os tricíclicos (Baldwin e Birtwistle, 1998). O quadro 1 descreve os principais efeitos colaterais associados com a estimulação dos diferentes neurotransmissores.

De modo geral, o perfil dos efeitos colaterais presente em determinado antidepressivo depende de sua seletividade. Quanto menos seletivo, mais freqüentes e diversos são os efeitos. Por exemplo, a clomipramina estimula os neurotransmissores serotoninérgicos, adrenérgicos, histaminérgicos e muscarínicos, podendo, portanto, levar a todos os efeitos colaterais descritos acima. Os ISRSs já são drogas bem mais seletivas, com efeitos colaterais geralmente secundários à estimulação serotoninérgica, o que os torna, em geral, mais bem tolerados.

A maior parte dos efeitos colaterais descritos no quadro 1 desaparece com o tempo ou se torna bem tolerada. No entanto, alguns deles podem permanecer durante todo período de manutenção, como ganho de peso e queixas sexuais.

Quadro 1 Efeitos colaterais associados à estimulação dos diferentes neurotransmissores


Serotoninérgico


Queixas gastrointestinais (náusea, diarréia)

Cefaléia

Insônia

Ansiedade

Disfunção sexual: diminuição do desejo e disfunção orgásmica



Adrenérgico

Tremor

Sudorese

Taquicardia

Hipotensão Postural

Tontura

Disfunção erétil


Histaminérgico


Sedação

Ganho de peso

Hipotensão


Muscarínico


Boca seca

Constipação intestinal

Visão borrada

Retenção urinária

Taquicardia

Aumento da pressão ocular

Disfunção erétil e orgásmica

Confusão (idosos)


(Montejo-Gonzaleset al, 1997; Westenberg, 1999)

Manejo geral dos efeitos colaterais

Os pacientes com TP têm algumas particularidades quando comparados aos pacientes com depressão e mesmo com outros transtornos ansiosos: são especialmente sensíveis aos sintomas somáticos e podem apresentar piora dos sintomas ansiosos no início do tratamento (± 30% dos pacientes) (Ramos, 1995). Essas características, associadas ao componente cognitivo do TP, manifesto pela tendência de interpretar catastroficamente os sintomas físicos, tornam esses sintomas mais suscetíveis aos efeitos colaterais, aumentando o receio de tomar a medicação e a chance de abandono no início do tratamento.

Outro aspecto importante a ser lembrado é que muitos efeitos colaterais são semelhantes aos sintomas ansiosos, como, por exemplo, taquicardia, tremor, agitação, cefaléia e insônia. Lecrubier et al. (1997) observaram, em um estudo comparativo de clomipramina, paroxetina e placebo em TP, que cefaléia e insônia estavam igualmente presentes nos três grupos, sugerindo tratar-se de sintomas ansiosos e não de efeitos colaterais da medicação. Por essa razão, os sintomas somáticos, bem como a função sexual e o peso, devem ser investigados antes do início da medicação.

O primeiro e fundamental passo no manejo dos efeitos colaterais é uma relação de colaboração entre médico e paciente. O clínico deve ter em mente que o receio de tomar a medicação, a sensibilidade aos efeitos colaterais e a hipervalorização das sensações corporais são componentes da patologia que ele está tratando e não "peripaques" ou má vontade do paciente. O tempo gasto na educação é um fator crucial para aumentar a aderência ao tratamento (Kaplan, 1997). As primeiras semanas são o período de maior risco de abandono, portanto, quanto mais informado, maior a chance de o paciente colaborar e aderir ao tratamento. O quadro 2 descreve as estratégias gerais de manejo. A tabela 1 aborda como lidar com os efeitos colaterais mais freqüentes.

Quadro 2 Manejo geral dos efeitos colaterais da farmacoterapia dos transtornos de pânico


  • Estabelecer uma relação de colaboração entre médico e paciente
  • Dar orientações quanto:
  • Ao diagnóstico e ao curso da doença
  • Às alternativas terapêuticas
  • À duração do tratamento (agudo e de manutenção)
  • À latência da resposta terapêutica
  • À possível piora inicial
  • Dar orientações quanto aos efeitos colaterais
  • Descrever os efeitos colaterais mais comuns da medicação prescrita
  • Discutir formas de amenizá-los
  • Abordar o receio freqüente dos pacientes anciosos em tomar a medicação
  • Estabelecer contato próximo com o paciente ansiosos em tomar a medicação
  • Iniciar com doses baixas, aumentando gradualmente
  • Aguardar tolerância aos efeitos colaterais
  • Manter em doses baixas, porém eficazes
  • Individualizar a dose


  • No início do tratamento, a piora na sintomatologia ansiosa pode ocorrer com todos os antidepressivos. A primeira providência é discutir essa possibilidade com o paciente, normalizando-a e levantando maneiras de amenizá-la. A segunda, iniciar com doses baixas, como, por exemplo, 5 mg/dia a 10 mg/dia de fluoxetina ou 10 mg/dia de clomipramina. A terceira, associar, se necessário, um benzodiazepínico nas primeiras duas semanas. Todas essas medidas são eficazes no manejo da piora inicial.
     
     
     
     

    Tabela 1 Manejo dos efeitos colaterais mais freqüentes com os atidepressivos
     
    Efeito colateral anticolinérgico Manejo clínico
    Boca seca
  • Hidratação e higiene oral freqüentes
  • Estimulação da salivação: chicletes e balas sem açúcar, cítricos em geral
  • Saliva artificial
  • Bochechos com flúor à noite
  • Agentes colinérgicos
  • Solução de pilocarpina a 1%: diluir em água, bochechos, 3 a 4 vezes/dia
  • Bentanecol 10 mg/dia a 30 mg/dia q/n ou 3 vezes ao dia
  • Começar com doses baixas, aumento gradual
  • Constipação
  • Hidratação e dieta rica em fibras
  • Atividade física
  • Laxantes vegetais volumétricos (metamucil)
  • Evitar laxantes catárticos (leite de magnésia)
  • Substituição do AD em pacientes que mantenham constipação importante
  • Retenção urinária
  • Betanecol 10mg/dia a 30 mg/dia 3 vezes/dia
  • Substituição do AD se não houver melhora
  • Evitar AD anticolinérgicos em pacientes com hipertrofia prostática
  • Visão turva

    (presbiopia)

  • Aguardar tolerância
  • Betanecol 10mg/dia a 30 mg/dia 3 vezes/dia
  • Em fase de manutenção (com doses estáveis) trocar o grau da lente
  • Soro fisiológico, no caso de xeroftalmia
  • Efeito colateral adrenérgico Manejo clínico
    Tremor e taquicardia
  • Diminuição de estimulantes (cafeína, nicotina)
  • Betabloqueador: propanolol 10mg a 40 mg q/n ou 3 vezes/dia
  • Pesadelos

    Agitação noturna

  • Mudança de horário do AD: da noite para manhã
  • Dividisão da dose
  • Mioclonias noturnas
  • Mudança de horário
  • Doses divididas
  • Mioclonias noturnas
  • Mudança de horário
  • Doses divididas
  • Clonazepam: 0,5mg a 2mg por noite
  • Efeito colateral histaminérgico Manejo clínico
    Hipotensão postural

    Principalmente com IMAO e ADT sedativos)

  • Orientar o paciente a levantar-se com cuidado
  • Uso de meias elásticas
  • Fortalecimento da panturrilha
  • Ingestão de sal
  • Diminuir medidas da ingestão de carboidratos desde o início da medicação
  • Aumento de peso
  • Orientar diminuição da ingestão de carboidratos desde o início da medicação
  • Aumentar atividade física
  • Substituir o AD
  • Efeito colateral serotoninérgico Manejo clínico
    Insônia
  • Mudança de horário do AD: da noite para a manhã
  • Higiene do sono
  • Evitar atividades e substâncias estimulantes à noite
  • Incorporar atividades e alimentação relaxantes
  • Benzodiazepínico nas primeiras semanas
  • Alprazolam: 0,25mg a 1mg por noite
  • Clonazepam: 0,5mg a 2mg por noite
  • Náusea
  • Tomar a medicação após alimentação
  • Fracionar a alimentação ao longo do dia
  • Usar antiácidos
  • Não usar duas horas antes ou depois do AD, pois diminui sua absorção
  • (Pollack e Rosenbaum, 1987)

    AD: antidepressivo; q/n: quando necessário
     
     

    Efeitos colaterais sexuais

    O aparecimento de queixas sexuais é causa importante para a descontinuação dos antidepressivos na fase de manutenção (Hirschfeld, 1999; Sachs e Guille, 1999). Essa observação veio progressivamente chamando a atenção dos clínicos e pesquisadores e vários estudos têm sido feitos sobre o assunto.

    Todos os antidepressivos podem interferir negativamente na função sexual. Inicialmente, acreditava-se serem os tricíclicos (ADT) e os inibidores da monoaminoxidase (IMAO) os únicos responsáveis pelos efeitos sexuais adversos. Os ISRSs foram lançados no mercado como drogas com pouca ou nenhuma interferência sexual, o que infelizmente não foi comprovado com a prática clínica. Estimava-se em 1,9% a incidência de problemas sexuais associados ao uso da fluoxetina quando foi lançada em 1989. Hoje, estudos sugerem que esse número possa chegar até a 75% (Patterson, 1993).

    A incidência de disfunção sexual (DS) é freqüentemente subestimada, especialmente porque a maior parte dos estudos baseia-se em relatos espontâneos dos pacientes. Por meio de um estudo prospectivo, Montejo-Gonzales et al. (1997) avaliaram o desenvolvimento de DS em 344 pacientes tomando ISRS (fluoxetina, paroxetina, sertralina e fluvoxamina). Os autores observaram que 14% relatavam espontaneamente alguma queixa sexual após a introdução da medicação. No entanto, quando esses mesmos pacientes foram diretamente questionados por seus clínicos sobre possíveis problemas sexuais, a porcentagem subiu para 58%.

    A maior parte dos pacientes em uso de ISRS, ADT ou IMAO refere algum grau de comprometimento sexual. Até o momento, não foram encontradas diferenças significativas entre os diferentes ISRSs, apesar das diferenças em termos de farmacocinética, seletividade e potência clínica. Os ISRSs e a clomipramina apresentam taxas mais altas, seguidos pelos IMAOs e tricíclicos e, por fim, pela bupropiona, nefazodona e mirtazapina (com incidências de 1% a 3%; Hirschfeld, 1999).

    Os antidepressivos podem causar DS por quatro mecanismos:
    1) efeitos inespecíficos no sistema nervoso central (SNC), como sedação, que podem interferir no interesse e na função sexual;
    2) efeitos específicos no SNC, como modificação do equilíbrio entre os neurotransmissores associados à função sexual (como serotonina, noradrenalina e dopamina);
    3) efeitos periféricos interferindo nos neurotransmissores genito-urinário (como alfaadrenérgico e colinérgico);
    4) efeitos hormonais, como o aumento da prolactina;
    Provavelmente, para cada indivíduo e para cada medicação deve haver uma combinação desses fatores (Gitlin, 1994; Alcântara, 1999).

    Manejo dos efeitos sexuais colaterais

    As disfunções sexuais são os transtornos mentais mais freqüentes na população geral. Segundo o mais recente estudo epidemiológico feito nos Estados Unidos, 43% das mulheres e 31% dos homens têm alguma disfunção sexual (prevalência dos últimos 12 meses; Laumann et al., 1999). Portanto, é fundamental que o clínico investigue a função sexual do paciente antes de iniciar a medicação.

    Várias doenças (diabetes, doenças cardiovasculares) e medicamentos (anti-hipertensivos, betabloqueadores) podem interferir na função sexual. O transtorno de pânico em si pode ter um impacto negativo na vida sexual do casal. Em um estudo feito no Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria da FMUSP com 51 pacientes com TP, observou-se que 47% tinham algum tipo de DS antes de iniciarem o tratamento (Tess, 1996). A maior parte referiu diminuição marcante do desejo sexual com o início da doença e parte passou a evitar relação sexual por receio de ela deflagrar uma crise de pânico.

    Algumas medidas gerais são úteis no manejo das queixas sexuais (Quadro 3). Poucos pacientes desenvolvem tolerância aos efeitos adversos sexuais. Montejo-Gonzales et al. (1997) relataram que os sintomas sexuais desapareceram após seis meses de medicação em apenas 6% dos pacientes; em 13%, houve uma melhora significativa e, em 81%, não houve modificação. A mudança de horário pode ser eficaz com antidepressivos de meia- vida curta (sertralina, paroxetina e clomipramina). O clínico pode tentar coincidir o momento de maior probabilidade de relacionamento sexual com o nível sérico mais baixo (por exemplo, tomar antes de dormir em vez de pela manhã).
     

    Quadro 3 Estratégias de manejo dos efeitos colaterais sexuais


    Aguardar desenvolvimento de tolerância
    Mudar o horário da medicação
    Estabelecer dias livres ou diminuir a dose em determinados dias
    Aumentar a estimulação sexual: orientar mudanças na prática sexual
    Diminuir a dose do antidepressivo
    Trocar o antidepressivo
    A diminuição da dose pode ser uma boa opção, já que o efeito adverso é dose dependente. No entanto, a redução deve ser feita cuidadosamente, pois pode diminuir a eficácia terapêutica e exacerbar a sintomatologia ansiosa. Estabelecer dias livres é uma estratégia que tem suscitado discussão. Rothschild (1995) considerou-a útil ao testá-la com sertralina e paroxetina, mas não com fluoxetina, devido a sua meia-vida longa. Outros autores levantam a possibilidade de aparecimento de sintomas de descontinuação abrupta da medicação e acreditam que a permissão de dias livres pode favorecer a não-aderência em pacientes menos disciplinados (Hirschfeld, 1999).

    Discutir com o paciente e, se necessário, com seu parceiro e mudar sua prática sexual para que ela seja mais estimulante e prazerosasão medidas simples e podem ser bastante eficazes para contrapor a interferência da medicação.

    Se nenhuma das técnicas acima forem efetivas, levantam-se duas últimas possibilidades: a troca do antidepressivo por outro que provoque menos inibição sexual (bupropiona, nefazodona ou mirtazapina) ou o uso de "antídotos" (Tabela 2). A troca para esses antidepressivos pode ser uma estratégia eficaz na depressão; porém, nenhum desses antidepressivos foi testado em pacientes com transtorno de pânico, o que até o momento contra-indica a sua utilização.

    Não existem estudos controlados das associações descritas na tabela 2, apenas relatos de caso e estudos abertos com pacientes que tratam de depressão. Buspirona, mirtazapina, amantadina, metilfenidato, ginkgo biloba e, mais recentemente, sildenafil já foram utilizados com sucesso para reverter disfunções sexuais iatrogênicas (Cohen e Bartlik, 1998; Nurnberg et al., 1999; Hirschfeld, 1999). Essas medicações podem ser utilizadas no regime "quando necessário" (uma a duas horas antes da relação sexual), ou diariamente. A sua utilização deve ser avaliada caso a caso, analisando-se os possíveis riscos e benefícios de cada associação.

    Tabela 2 Farmacoterapia para disfunção sexual secundária ao uso de antidepressivos
     
    Fármaco Mecanismo de ação Dose Indicação Efeitos colaterais
    Betanecol Agonista colinérgico 10mg a 40mg

    1 hora antes da RS ou 3 vezes/dia

    Anorgasmia com ADT e IMAO Cólica abdominal, diarréia, coriza e lacrimejamento
    Ioimbina Antagonista alfa-2-adrenérgico 6mg a 16mg

    2 horas antes da RS ou 3 vezes/dia

    Anorgasmia e disfunção erétil com ISRS e clomipramina Ansiedade, insônia, sudorese, náusea. Pode deflegrar crises
    Ciproeptadina Antagonista serotoninérgico 2mg a 16mg

    2 horas antes da RS ou 3 vezes/dia

    Anorgasmia com ISRS, IMAO e clomipramina Sedação, reversão do efeito terapêutico do AD
    Bupropiona Inibidor da recaptação da narodrenalina e da dopamina 75mg a 150mg 2 vezes/ dia

    75mg a 150mg XR 1 vez/dia

    Diminuição do desejo sexual e anorgasmia com ISRS Insônia, náusea, ansiedade

    Pode piorar o TP

    Conclusão

    Todos os antidepressivos efetivos para o transtorno de pânico produzem efeitos colaterais. A maior parte destes desaparece após as primeiras semanas, porém alguns podem persistir por tempo indeterminado, comprometendo a aderência ao tratamento. Desde o início, a abordagem com o paciente da possibilidade de aparecimento de efeitos colaterais e a discussão das formas de amenizá-los permitirão ao clínico chegar às doses eficazes, mantê-las durante o tempo necessário e aumentar a aderência do paciente à farmacoterapia.



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    1Mestre em Medicina, Médica-assistente, Pesquisadora do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
    Endereço para correspondência:
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